Entretenimento

‘Axé, carnaval e saudade’, Gerônimo fala sobre sua música no A TARDE Conecta

A tarde

Em bate-papo nesta quarta-feira, 22, no quadro A TARDE Conecta no Instagram, o cantor e compositor Gerônimo falou sobre as suas expectativas para o próximo carnaval. O artista aposta que com os protocolos de segurança trazidos pelo novo coronavírus, a festa condensada nos chamados clubes pode voltar a ser tendência na Bahia.

“O futuro do carnaval é de volta as festas de clube, que podem ser controladas. As festas de rua talvez sejam enfraquecidas. Com corona ou sem corona, eu creio que os clubes devem ser uma opção a se considerar”, afirmou o artista.

Conhecido por trazer além do talento, a história do ritmo nas suas músicas, Gerônimo, que já se intitulou “avô do axé” em uma entrevista, brincou dizendo que Luiz Caldas seria o pai.

“O axé transformou-se em um ritmo misturado de frevo e outros ritmos afro. Não se tinha conhecimento do merengue, mambo, era muito vago, e o axé music é um ritmo que apareceu com esses elementos de sugestão. Nessa história, quem se destaca é o Luiz Caldas. Ele é o pai dessa coisa moderna do axé music”, declarou.

Na conversa conduzida pelo artista plástico e editor da Caramurê, Fernando Oberlaender, Gerônimo relembrou a parceria com o já falecido Vevé Calazans. Os dois são autores de “É d’Oxum”, um dos maiores sucessos da música baiana.

“Vevé era do signo de gêmeos, então, ele tinha as facetas dele. Quando estava muito alegre, ficava muito alegre, quando estava chateado ou triste, se fechava e não queria ver ninguém. Mas bom amigo. A parceria da gente era tão forte, que quando ele era chamado para um trabalho extra, mais comercial como jingle, ele fazia assim: ‘nós dois somos imbatíveis’ ”, divertiu-se.

Sobre É d’Oxum, o compositor contou que, na época, a música foi feita para Alcione, que buscava gravar um LP com músicas de diversos artistas baianos, mas que a cantora não se sentiu confortável porque a também cantora Clara Nunes havia falecido há pouco tempo. Na ida ao Rio de Janeiro, Vevé e Gerônimo entraram em contato com uma gravadora que gostou da música e a tornou trilha sonora da novela Tenda dos Milagres, inspirada na obra homônima de Jorge Amado.

Por fim, Gerônimo lamentou a pouca visibilidade dos artistas baianos nas rádios regionais e afirmou que isso interfere nas escolhas dos nomes escolhidos para comandar o carnaval no estado. “Quando deixam de tocar o artista baiano, a gente perde toda a força”.

Para o momento atual de preocupação com o coronavírus, Gerônimo disse que o momento de acatar regras e que acredita na força do povo da Bahia. “Aposto no povo da Bahia. Aposto que vamos ainda surpreender o mundo. Já surpreendemos o mundo com a música e vamos surpreender o mundo em algum momento, que está por vir”, concluiu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo